Tudo novo de novo!

O fim de 2011 e o início de 2012 passaram voando!! Aff!!!

Juro que eu queria que o dia tivesse 48 horas. Assim eu dava conta de tudo e podia dormir também😛.

Sejam bem vindos os alunos novos! Vamos ter novidades por aqui pelo blog durante o ano letivo. Estou pensando em algumas modificações, além da mudança anual de layout do página. Por sinal, não estou satisfeita com essa imagem de cabeçalho não. O original é lindo, mas como eu tenho que achatar o bichinho para caber no espaço de 116 pixels de altura, não ficou bom😦. Se alguém tiver boas sugestões de imagens de cabeçalho para o blog, dixa um comentário!

A principal mudança desse ano vai estar no fato de conviverem aqui postagens exclusivas para os alunos do São Luís com as postagens exclusivas dos alunos do Grande Passo. O Literarizando, historicamente, sempre foi um reino do São Luís. Agora, o GP chegou pra ficar! Claro que nada impede que o que foi escrito para um grupo seja lido para o outro, mas os posts que eu identificar assim vão atender necessidades imediatas de um grupo de alunos ou de outro, ok?

Feitas essas apresentações, vamos lá, senhoritos e senhoritas. Acomodem-se em seus lugares e posicionem as cadeiras na posição vertical. Mantenham os cintos afivelados, os olhos abertos e os livros à mão. Em caso de emergências educacionais, vídeos, fotos e piadas cairão automaticamente no texto. Em caso de dúvida de emergência, dirija-se para o botão dos comentários. Deixe seu recado que retornaremos assim que possível.

E vamos começar a brincadeira!

O primeiro trabalhinho de vocês foi com “Espaço Liso“, letra da canção do Paulinho Moska (clique aqui para baixar o pdf com os gabaritos e comentários das questões). Eu adoro o Paulinho Moska, embora não curta Espaço Liso como canção, só como texto. Quem tiver curiosidade clica no vídeo aí embaixo para ter a oportunidade de gostar ou desgostar por si mesmo.

ESPAÇO LISO

Eu amo a causa, e não a consequência

Eu amo o pensamento, e não a inteligência

Eu amo a loucura, e não a consciência

Eu amo a paciência, eu amo a paciência

Eu amo o deserto, e não a muralha

Eu amo o mergulho, e não a medalha

Eu amo suor, e não a toalha

Eu amo a batalha, eu amo a batalha

Eu amo a alma, e não a pessoa

Eu amo a cara, e não a coroa

Eu amo a corrida, e não a linha de chegada

Eu amo a estrada, eu amo a estrada

Eu amo o agora, e não a memória

Eu amo a luta, e não a vitória

Eu amo o fato, e não a história

Eu amo a trajetória, eu amo a trajetória

Eu amo o bem forte, e não o assim

Eu amo o papel, e não o cetim

Eu amo pra onde vou, e não de onde eu vim

Eu amo o meu meio, e não o meu fim.

Como já discutimos em sala, nesse texto um eu (que pode ser masculino ou feminino) constrói uma lista das coisas que ama e que não ama também. À medida que ele vai construindo a lista, colocando duas expressões relacionadas pela expressão “e não”, cria uma série de oposições, que chamamos de antíteses. A antítese é esse recurso da linguagem que evidencia o contraste entre coisas que são contrárias.

Na construção dessas antíteses, o eu lírico usou muitas palavras em sentido conotativo, aquele que não é imediatamente relacionado à palavra quando ela é apresentada a uma pessoa completamente fora de contexto. Se encontramos um papel, no meio da rua, e lá está escrito, sem nenhum tipo de trabalho gráfico, como letras maiúsculas, riscos ou setas, a palavra mão, ou estrada, ou suor, ou medalha, imediatamente pensamos na coisas concretas mais imediatas que essas combinações de letras representam. Pensamos, então em seu sentido denotativo.

No texto há algumas palavras usadas em sentido denotativo, como causa e consequência. A maioria, porém, é usada em sentido conotativo, criado através ou do mecanismo da metáfora ou do mecanismo da metonímia.

Vamos revisar um pouquinho esses dois conceitos, eu sei que ainda tem gente meio empacada neles.

  1. Metáfora: comparação implícita entre dois termos. A comparação é implícita porque não há nenhuma expressão comparativa (que nem, como, tal qual, parecer, mais que, menos que) Essa comparação só é possível por que os seres que esses termos nomeiam compartilham algum atributo, alguma característica. Essa característica é transferida de um para o outro. Veja os exemplos abaixo:

Descoberta a chave para o problema, ele saiu ventando.

Tanto “chave” como “ventando” encerram comparações implícitas em que atributos a eles relacionados são transferidos para o termo com que foram comparados (e que ficaram implícitos no contexto). A chave é e o mecanismo necessário para quem precisa abrir uma fechadura. Implicitamente, o problema é como se fosse uma fechadura e, no contexto do enunciado, aquela pessoa que precisava resolvê-lo, conseguiu descobrir qual era o mecanismo necessário para solucionar o problema (se fosse um problema de matemática em um prova, possivelmente ele se lembrou de uma fórmula).

Feita essa descoberta, essa pessoa saiu correndo de maneira tão rápida que se torna parecida com um forte vento. A característica da velocidade do vento foi inteiramente transferida para aquela ação, a ponto de se fundir a imagem de uma ação, correr, com a de outra, ventar.

Com dúvida, ainda? Tente dessa maneira:

Clica que amplifica!

A relação entre as duas palavras se torna tão íntima a partir do momento que elas dividem essa característica que elas passam a ser a mesma coisa, tornam-se sinônimos, no texto.

2. Metonímia: é a substituição de uma palavra por outra. Essa substituição só é possível por que no mundo das coisas, os objetos que essas palavras representam são conectados por alguma razão prática.

Observe os exemplos clássicos de metonímia:

Ele bebeu três copos e comeu dois pratos.

O Bombril acabou, precisamos comprar.

Passei a tarde lendo Clarice Lispector.

Evidentemente, a bebida e a comida não foram comparadas com o copo e o prato, o Bombril não foi comparado à palha de aço e nem Clarice Lispector àquilo que ela escreveu. O que acontece é que no mundo real, bebida e copo são coisas, objetos que estão sempre associados. O mesmo vale para a comida e o prato, uma marca de produto e o tipo de produto que ela nomeia, o escritor e sua obra. O que permite essa substituição não é o fato de essas coisas compartilharem um mesmo atributo, mas o fato de elas relacionarem no mundo concreto. Veja:

Enquanto prato e comida não compartilham nenhum atributo no mundo concreto (pense sempre nos objetos fora de contexto), o vento e o ato de correr, podem ser caracterizados em relação às mesmas qualidades. Enquanto isso, no mundo concreto, prato e comida são objetos que têm uma conexão, enquanto vento e correr não têm relação nenhuma.

Pra resumir…

  • Se existe uma relação concreta entre os objetos, falar de um para nos referir ao outro é coisa que fazemos pela metonímia.
  • Se os objetos não têm nenhuma relação concreta, mas nós atribuímos a eles características semelhantes, falar de um para nos referir ao outro é coisa que fazemos pela metáfora.

Vista essa parte chatinha dos conceitos básicos, vamos falar do que é bom? O texto é lindo. Ponto. É lindo porque fala das coisas de forma bonita. É lindo porque desafia a inteligência e a capacidade de compreensão de quem lê – que fica lindo junto com o texto quando entende. É lindo, também, porque eu me identifico com o que ele diz: é um texto bonito por dentro e por fora, naquilo que diz e em como diz. Imediatamente o eu lírico desse texto do Paulinho Moska, que ama aquilo que é essencial, aquilo que ele tem vontade de fazer e não as coisas materiais ou reconhecimento social, me remete a Alberto Caeiro, esse monumento de poesia. No meu poema favorito (tá, ele divide espaço com o Poema do Menino Jesus, mas esse fica pra depois), Caeiro diz:

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não, do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o  céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

A nossa única riqueza é aquilo que podemos fazer. O reconhecimento social que recebamos por fazer nossas atividades é uma coisa que não faz parte de nós, mas do que os outros enxergam em nós. É claro que obter esse reconhecimento, quando ele é positivo, não é ruim. É muito bom saber que os outros percebem em nós o que queremos ser. O problema é quando esse reconhecimento é a única medida das nossas ações e dos nossos caminhos. Quando fazemos as coisas para obter medalhas, toalhas ou só para chegar ao fim da corrida. Como quando estudamos para fazer uma boa prova e para passar de ano. Como quando fazemos a coisa certa apenas para não recebermos reclamações. Ou pior: quando fazemos uma coisa que não achamos que é boa, sensata ou correta, apenas porque outras pessoas vão achar engraçado, divertido ou ousado.

A escolha desse texto para ser o primeiro do ano letivo tem um fundamento muito simples. Não somos meios para se obter uma coisa: somos o nosso próprio fim. Um ser humano não é importante porque faz coisas importantes, mas porque ele é. Se temos que fazer coisas, como aprender uma profissão e trabalhar, é por uma questão de sobrevivência. E não de vivência. A vida tem seu significado atrelado àquilo que conquistamos no mundo material, ou no mundo conceitual dos títulos e do reconhecimento. Uma pessoa que se torne riquíssima aos 64 anos e outra que aos 64 anos seja pobre, no fim das contas, são simplesmente pessoas de 64 anos. Se não tiverem dado às suas existências significados difrentes daqueles da sobrevivência: como ganhar dinheiro, como aproveitar esse dinheiro para suprir as necessidades da ordem sa sobrevivência ( e o descanso está entre elas), a vida dos dois tem a mesma medida.

Isso por que uma vida só se mede pelo significado que damos a ela.

Qual vai ser o significado que vocês vão dar à vida de vocês em 2012?

Beijinhos e até a próxima!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s