Gabaritos, gabaritos (fichas 9, 10 e 11)

Oi pessoas,

Às vésperas das provas eu sei (eu espero, com fé, muita! :P) que tem um monte de gente que decidiu tentar fazer exercícios né? Então vamos para um post bem direto: as resoluções das fichas 9, 10 e 11.

Ficha 9

Questão 1 – Enquanto Clarinha aparenta fragilidade e delicadeza, é tratada com afetuosidade pelo narrador (que sempre se refere a ela pelo nome com diminutivo, sendo que esse diminutivo também reforça o aspecto dócil e frágil da personagem), Luís Negreiros apresenta-se enérgico e violento. É importante notar que, em oposição ao tratamento dado à esposa, o narrador sempre trata o marido pelo nome completo, o que assinala um distanciamento deste — distanciamento devido ao fato de Luís Negreiros ter, efetivamente, o que esconder, o que manter “às escuras”, como seu sobrenome insinua: o caso extraconjugal. Nisso também marido e esposa estão em franca oposição: Clarinha não tem segredos a guardar — como seu nome assinala, as coisas a respeito dela estão “às claras”.

OBS: Uma coisa maravilhosa desse conto é como as aparências enganam em relação à identidade verdadeira dos personagens. As atitudes da esposa e do esposo, até o fim do conto, assinalam para nós que o mistério está nela e não nele. O fato de o narrador não revelar os pensamentos de Clarinha é fundamental para o impacto da revelação do fim da narrativa.

Questão 2 – A descrição de Clarinha dá pistas de que a aparência e a essência dessa personagem são contraditórias — embora não da maneira como o leitor depreende até o fim da história. A denúncia dessa questão está na descrição do olhar de Clarinha: embora ela pareça ser muito jovem e frágil, tem no olhar algo que a transforma, que a faz mulher como poucas.

OBS: Veja como é interessante o que fica velado por trás da expressão mulher como poucas.  Até o fim do texto há nisso uma conotação de ser capaz de dissimular, de enganar. Ao fim do conto temos a referência a um modo de confrontar os problemas com sutileza, e também à capacidade de dominar os próprios impulsos.

A caraterização de Meireles como pessoa frívola confirma-se quando é revelado que o pai de Clarinha traía a sua esposa constantemente.

Luís Negreiros, descrito como marido exemplar, carinhoso e fiel, é, na verdade, o oposto, tanto por ser capaz de cometer atos violentos como, principalmente, pelo fato de cometer adultério. É ele o personagem que contraria absolutamente as expectativas do leitor a partir das descrições.

Questão 3 – O silêncio de Clara é a arma que ela tem para fazer com que o esposo perceba q1ue ela descobriu sua infidelidade. Lançar mão desse recurso é uma maneira de evitar o confronto direto, por ela evitado desde o início, pois acabaria com as aparências que permitem que o casamento continue se sustentando da mesma forma até então. Além disso, é o silêncio de Clara (silêncio de discurso e de pensamentos, que também não são relatados pelo narrador) que faz com que o leitor suspeite dela e surpreenda-se junto com o marido no fim do conto.

Questão 4 – A tristeza se deve à descoberta do adultério do esposo — e pode estar intensificada pelo fato de isso acontecer na véspera do aniversário dele. A revolta ocorre pelo fato de Luís Negreiros voltar-se contra a esposa, acusando-a de adultério, quando ela é quem é a vítima da infidelidade. É possível também que Clara acredite que o esposo tenta dissimular o fato de ter sido descoberto, voltando-se contra ela,  o que torna a revolta ainda mais intensa.

Questão 5 – Todas as referências ao relógio como uma charada (“Charadas palpáveis ou cronométricas, e sobretudo sem conceito, não as apreciava Luís Negreiros” e “ar indiferente e tranquilo de quem não pensa em decifrar charadas de cronômetro”) assim como a revelação final do conto são elementos que sutilmente constroem uma forte carga de ironia no conto.

Ficha 10

Os dois grupos de texto relacionam-se através da paráfrase. No caso do primeiro grupo, as tirinhas mantém o valor simbólico dado à flor no poema e os personagens encarnam a posição do eu lírico (Caramelo e Mauro expressam ideias semelhantes às do eu lírico) e a da sociedade (Maria Joana exerce esse contraponto). Além disso, as histórias da tirinha mantém a mesma crítica geral do poema através da ironia que suas narrações sustentam.

No caso do segundo grupo, os três textos referem-se a um momento da vida em que o eu lírico encontrou-se numa situação completamente adversa. Entretanto, o texto de Drummond é mais fiel à ideia do texto de Dante, tanto por estruturar-se na repetida recontextualização do verso inicial (No meio do caminho de nossa vida) como por não fazer referência clara a qual problema foi enfrentado (no caso do texto de Bilac há um conflito dentro de um relacionamento amoroso).

Nos dois grupos os textos pouco dependem do conhecimento da obra original para a compreensão de suas ideias. Entretanto, esse conhecimento intensifica a experiência da leitura.

Ficha 11

Questão 1 –

(Em cena está Luciraldo, vestido como metaleiro, com moicano e piercing no nariz. Luciraldo está dentro de seu buraco. Ao lado dele há uma televisão.)

Luciraldo — O deus metal não possui fraquezas.

(Da televisão começa a sair o som da canção Rebolation.)

Luciraldo (espantado) — Mas o quê?!

(A música continua. Luciraldo começa a passar mal)

Luciraldo — Argh… (levando as mãos à barriga e começando a ficar tonto) Alguém… Pare (apoia as mãos no chão para não cair) Meus poderes… (cai aos poucos, deixando marcas de garras no chão. Derrotado, acaba desmaiado, de barriga para cima, enquanto toca o refrão “Rebolation é bom bom”)

(Em cena, Caramelo, Mauro e Brigitte. Caramelo tem uma agenda à frente dele. Mauro está ao lado de Caramelo, enquanto Brigitte está na frente dos dois, sentada em uma flor.)

Caramelo — Ei, Brigitte!

Brigitte — Já sei, você tem uma agenda…

Caramelo — Impressionante como as notícias correm!

Mauro — Né?

Brigitte — O que vai fazer com ela, além de colar porcarias?

Caramelo (com a agenda aberta) — Imaginei o adeviso de coração marcando seu aniversário… Que acha, Mauro?

Mauro — Pensa bem antes de gastar os adesivos…

Brigitte (entedidada, levando uma mão ao queixo) — Ai, ai…

OBS: Estas são uma de muitas opções de organização do texto na estrutura dramática. Outra formas podem estar perfeitamente corretas.

Questão 2 – O texto 1 pertence à tradição iconoclasta, pois é completamente estruturado em versos livres e brancos. Além disso, ele explora o vocabulário de maneira inovadora para a temática, ao apresentar o amor como algo ridículo.

O texto 2 também pertence à tradição iconoclasta. O autor optou por condensar todas as ideias a respeito do amor em uma única palavra, humor. O texto não se preocupa com a musicalidade ou com a perfeição formal, mas em uma maneira inovadora de se expressar.

O texto 3 pertence à tradição popular. Suas estrofes são sextilhas que intercalam rimas predominantemente pobres a versos brancos — formas típicas da poesia popular — e têm uma musicalidade e ritmo muito claramente demarcados. Além disso, o vocabulário simples, sem refinamentos (com a repetição da palavra vida em três versos consecutivos na penúltima estrofe) apresenta regionalismo típico das variantes populares nordestinas na expressão “pra mode“.

O texto 4 é um soneto — forma em si já erudita — o qual apresenta uma grande exploração de vocabulário refinado, incomum no cotidiano (“traslado”, “flama”, “apetecida” são alguns exemplos). Sendo o texto um soneto, podemos dele esperar o decassílabo como medida  para os versos. As rimas, por fim, seguem as regras de constância e busca pela perfeição ditadas pela poesia erudita: os dois quartetos seguem o mesmo esquema de rimas (interpoladas e emparelhadas) e dois os tercetos idem (rimas alternadas); as rimas do primeiro quartetos são idênticas à do segundo, o que também ocorre nos tercetos; e há presença de rimas ricas no primeiro quarteto (vida e consumida) e entre o último verso do primeiro terceto e o segundo verso do terceto seguinte (chamas e amas).

O texto 5 é um poema visual, o qual explora a leitura não linear. Não há nesse texto versos ou rimas, o que o tornam iconoclasta.

O texto 6 pertence à tradição erudita. Todas as estrofes têm o mesmo número de versos e o mesmo esquema de rimas ABABABCC. E essa regularidade não conduziu o texto a uma cadência rítimica de palavra cantada, como ocorreria na poesia popular. Além disso, o texto faz referência à mitologia grega, evocando personagens da guerra de Tróia (Polycena, Aquiles, Pirro) e há exploração de um vocabulário mais refinado: aras, no lugar de altar — o que significa que o Amor, com A maiúsculo é o deus do amor — Eros, alabastro, tálamos são alguns exemplos no texto. É importante ressaltar também que o texto 6 fez grande uso do hipérbato (inversão) o que revela a preocupação do autor em demonstrar o domínio sobre a forma de sua obra.

Questão 3 – O texto A faz referência a um movimento artístico que extinguiu o uso do verso para explorar outras formas de leitura. A tradição iconoclasta atingiu esse nível de experimentalismo, iniciado, antes, pela exploração do verso livre e do verso branco.

O texto B refere-se a um movimento no qual predominou a poesia erudita. Isso pode ser afirmado pela presença da mitologia grega no imaginário da poesia erudita e no imaginário do movimento (que foi batizado, segundo o texto, com um elemento da mitologia grega). Além disso, a perfeição da forma era o grande objetivo dos poetas eruditos, característica assinalada no texto B, o qual afirma que, para os poetas do movimento em questão, a forma é sagrada.

Questão 4 – D

Questão 5 – D

2 thoughts on “Gabaritos, gabaritos (fichas 9, 10 e 11)

  1. Professora gostaria de saber se as questões de verdadeiro ou falso no simulado tem o mesmo valor e se tiver qual a pontuação de cada?

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