Gabarito da ficha 4 e conteúdo da prova

Pessoas,

Para fechar o gabarito da ficha 4, aqui estão as respostas para as questões do Aprofundando para o vestibular. As outras, para quem não viu, estão embutidas no post anterior, que comenta os textos sobre o carpe diem. Confira, no fim da postagem, os conteúdos da prova parcial.

Começando pelo texto da Cecília Meireles, o Epigrama nº 8 (olha ele aqui), revemos o tema da efemeridade da vida na ótica da Cecília, uma ótica que se marca pela melancolia, mas que, ao mesmo tempo, não é pessimista. é uma tristeza resignada, conformada, de quem sabe que todas as coisas são passageiras (o que valida, na questão 1 a alternativa A). O caráter efêmero do amor e do ser amado se ressalta na escolha das palavras onda e nuvem que o caracterizaram na primeira estrofe: tanto a onda como a nuvem são objetos instáveis, que se desfazem facilmente e que não se pode prender, manter consigo (análise que responde à questão 2).

O quadro de Gustave Klimt e a tela de Hans Baldung-Grien abordam o tema da passagem da vida dispondo três mulheres em idades diferentes (o bebê, a jovem e a velha, que, no quadro de Grien é a personagem que ajuda a moça a se olhar no espelho). No quadro de Grien, a essas personagens foi adicionada mais uma, uma figura andrógina que segura uma ampulheta sobre a cabeça da moça: é uma alegoria, um símbolo da morte. Literalmente, nessa imagem, o tempo passa sobre a cabeça dos que são jovens, como nos versos de Gonzaga. E contra esse tempo que passa a velha tenta se opor: observe a mão dela que afasta o braço da figura decadente da morte, como se repelisse a ampulheta (e a passagem do tempo que ela simboliza) e a sentença fatal que ela empreende ao ficar sobre a moça. É para a ampulheta que seu olhar se dirige e impedir seu fatalismo é a sua necessidade.

Essa consciência do tempo também se percebe na figura da velha no quadro de Klimt. Desta vez, parece, no entanto, que o problema não é o tempo ameaçar a jovem, mas ameaçar a si mesma. Veja que ela é a única figura que não está em conforto e paz. Não podemos ver seu rosto, coberto por uma das mãos, mas a forma como a cabeça e o cabelo caem para frente e a tensão da mão, que está retesada na perna, demonstram um estado de choro quase convulsivo, uma dose de desespero.

O elemento que se apresenta com diferença mais gritante nas duas telas é o bebê. Se no quadro de Klimt ele está abrigado junto à jovem, e ambos dormem tranquilamente, no quadro de Grien a criança está sozinha no chão, aos pés da jovem e da velha, encoberta por um véu. Nem a jovem nem a velha dirigem sua atenção para o bebê, que parece incomodado com o véu, e olha para a jovem com uma expressão que, se não demonstra tristeza, também não demonstra felicidade. Essa diferença de atitude invalida a alternativa C da questão 3: se poderíamos entender que há um conexão entre a juventude feminina e a maternidade na obra de Klimt (embora outras interpretações sejam possíveis), o mesmo não pode se dar na de Grien.

No soneto de Camões, a vida é transformada em um “breve e vão discurso humano“. Veja que há uma boa dose de pessimismo nessa concepção, já que não só a vida é passageira, breve, curta, como também é vã, isto é, inútil, ilusória, sem valor. O poema constata que, naquele momento, algo se alonga e algo se encurta: o cansaço de viver e o tempo que levará para a morte chegar, respectivamente. O emprego da antítese também se repetiu na estrofe seguinte quando a ideia de gastar foi contrastada com a ideia de crescer. Como o gastar está se relacionando à ideia de envelhecer (gastar a idade = viver a passagem do tempo) e o crescer está se relacionando ao sofrimento que aumenta à medida que se vive mais tempo (o sofrimento advindo do dano que o tempo provoca no corpo e, também — por que não? — à alma), os opostos ligam-se a seres diferentes (o ato de envelhecer e ao sofrimento), o que constitui a antítese.

A palavra bem pode ser interpretada como qualquer desejo que se nutre durante a vida, mas que não se consegue realizar. Este é um soneto que pode ser compreendido de muitas formas diferentes: o bem que não se alcança, por mais que se busque por ele toda a vida, pode ser um amor, pode ser um sonho, pode ser a paz de espírito. O importante é que ele seja entendido como algo que é muito importante para a voz que fala no texto, o eu lírico, mas que não é conseguido durante a vida, e que ao final nem mesmo a esperança de obtê-lo ainda resta (se me perde … da esperança ).

Em tempo: não, Camões não é um autor Barroco. Ele viveu antes desse período, e sua obra se encaixa no que chamamos de Classicismo. Não é porque o Barroco gostava tanto de contrastes e, portanto, de antíteses e paradoxos que só o Barroco usou esses recursos. Só que o grau de intensidade do uso, nas obras barrocas, é muito mais forte, ok?

Como você vai reconhecer se o uso foi muito ou pouco? Com a passagem do tempo! (A alusão foi infame, eu sei, mas não deu para resistir :P). Paciência, vocês estão começando agora. A experiência vai construir essa habilidade de reconhecer quando um texto foi escrito e por quem. Por agora, vamos curtir, fruir, ok?

Espero que tenham se saído bem nessa questões! Dúvidas, perguntas, desesperos de plantão? Deixa um comment!

Pra fechar o post: assunto da prova!

  • Conceito de arte e de literatura
  • Como reconhecer um texto literário (plano da linguagem e do conteúdo)
  • Os mitos sobre literatura (mito da imitação da realidade e mito da expressão das emoções)
  • Funções da literatura

Estudem pelas fichas, pelos posts (os antigos também podem ajudar) e pelo livro didático, obviamente. Se joguem nos capítulos 1 e 2!

2 thoughts on “Gabarito da ficha 4 e conteúdo da prova

  1. parabéns Bianca! 😀 é Mateus do Primeiro “C” do Colégio Motivo.
    Perdão, sei que aqui é um local de estudo, mas não te encontrava em lugar nenhum…de qualquer jeito, tudo de bom pra você! 🙂 abraço!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s