Arcadismo – Gabaritos e comentários – Ficha 15

Questão 1 – itens A e B

Ouro branco! Ouro preto! Ouro podre!
De cada ribeirão trepidante e de cada recosto
De montanha o metal rolou na cascalhada
Para fausto d’El-Rei: para a glória do imposto

Que restou do esplendor de outrora? Quase nada:
Pedras…Templos que são fantasmas ao sol-posto.

Os belos versos de Manuel Bandeira no poema Ouro Preto (ou seja, sobre a cidade de Ouro Preto, a antiga Vila Rica, contextualização que nos ajuda a lidar com o poema — veja o texto completo aqui) descrevem o processo de retirada do ouro dos rios e das montanhas mineiras e da finalidade dada à riqueza encontrada no Brasil: o pagamento dos impostos excessivos e o fausto do rei. O versos inicial já antecipa, na sucessão branco — preto — podre a consequência dessa exploração: se no início o que temos é riqueza, simbolizada no ouro branco (uma variação bastante valiosa do metal e também uma alusão ao brilho, ao esplendor de um momento próspero), depois temos um estágio em que o valor decai (o brilho se apaga, fica preto, assim como a cidade, que era uma Vila Rica se tornou a cidade de Ouro Preto — a característica positiva do adjetivo rica deixa de ser diretamente a ela associada)  até a degradação total, em que a cidade de Ouro Preto (o título afinal determina que é sobre ela que se fala) está, uma ruína do que foi.

Questões 2, 3 e 4

A leitura do 3º poema que compõe as Cartas chilenas (texto integral aqui, entre outras fontes) nos mostra uma das ações reprováveis do governo de Luís da Cunha Meneses: a construção de uma monumental cadeia, “Um soberbo edifício levantado / Sobre ossos de inocentes, construído / Com lágrimas dos pobres“. Tão soberbo, tão grandioso e opulento que é comparado à Torre de Babel e às pirâmides do Egito. A referência comparativa à Torre de Babel se fundamenta na história bíblica desta construção: os homens desejavam fazer uma construção tão alta e monumental que atingisse o céu — o que os tornaria famosos, pois o monumento exaltaria a própria imagem humana, assim como as pirâmides exaltam a figura do faraó que nela jaz. Por isso mesmo pode-se reconhecer que nessa carta Critilo denuncia uma obra faraônica, como são designadas as obras grandiosas em objetivo e despesas e que são executadas para servirem como marco de uma administração política — afinal, sua característica básica é exatamente a grandiosidade do projeto, o que as liga diretamente a quem as empreendeu (daí que a notícia sobre a última obra intentada no governo João Paulo se refere a uma medida governamental semelhante à do Fanfarrão Minésio). A história brasileira, por sinal, está recheada por obras faraônicas — muitas projetos de governos da ditadura militar — que não foram concluídas ou que são verdadeiros elefantes brancos (se não incomodam ou atrapalham, não têm utilidade prática alguma) para a população.

Além do caráter faraônico da obra em si, Critilo também denuncia as irregularidades com que foi praticada: com desvio de dinheiro público e às custas do trabalho forçado de pessoas inocentes. Uma obra assim, como ele mesmo descreve, “nunca serve / De glória ao seu autor, mas, sim, de opróbrio“.

Questão 5 – A

Questão 6 – E

Questão 7 – Essa é uma das questões de vestibular com as quais eu implico. Oficialmente o gabarito conduz à alternativa A. Entretanto, o paralelismo não é um recurso claro e marcante no texto. Fazendo a escansão do poema, encontramos versos que são redondilhas maiores (7 sílabas poéticas). E nenhuma das outras alternativas se encaixa no texto.

Questão 8 – C

Questão 9 – C

Questão 10 – A

6 thoughts on “Arcadismo – Gabaritos e comentários – Ficha 15

  1. Oi, Bianca! 🙂
    Veja só: a quatão 7 não poderia ser letra D não (pois ele compara, no plano das ideias, a figura de Judas e de Joaquim Silvério. Mas eu acho que pode não ser porque como a produção é reflexo do Arcadismo, não predomina a metáfora.
    Outra coisa: Na letra C, afirma-se que está construído em versos livres (correto) de cinco e oito sílabas (?).

    Vlw!

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