Poesia: a melhor autoajuda

Pra que serve poesia num mundo informatizado, globalizado, prático e pragmático? Eu sempre tento responder esta pergunta, mas às vezes acho que só a minha fala não é suficiente para convencer os meus alunos/leitores mais avessos à literatura. Vamos ver se o poeta Ulisses Tavares em seu texto que dá título a este post consegue ter mais sucesso!

Calma, esperançoso leitor, iludida leitora, não fiquem bravos comigo, mas ler autoajuda geralmente só é bom para os escritores de autoajuda. Pois não existe receita para ser feliz ou dar certo na vida.

Sabe por quê?

Porque, na maior parte das vezes, apenas você sabe o que é bom e serve para você. O que funciona para um nem sempre funciona para o outro.

Os únicos livros de autoajuda que dá para se respeitar, e são úteis mesmo, são aqueles que ensinam novas receitas de bolo, como consertar objetos quebrados em casa ou como operar um computador. Ou seja, lidar com as coisas concretas, reais, exige um conhecimento também real, tintim por tintim, item por item.

Com gente é diferente. Gente não vem com manual de instruções quando nasce. Nem pra viver nem pra morrer.

E, se você precisa de conforto ou de conselhos, existem caminhos bem fáceis, boa parte deles de graça: igrejas, templos, botecos, amigos ou parentes… Lembrou? Se alguém anda necessitado de regras, palavras de ordem e comandos enérgicos sobre o que fazer, melhor entrar o exército. Mas, se você não quer deixar ninguém mandar em você, tenha coragem e encare-se de frente. Não adianta fugir de seus medos, suas dores, suas fragilidades, suas tristezas. Elas sempre correm juntinho, coladas em você. Tentar ser perfeito, fazer o máximo, transformar-se em outro dói mais ainda. Colar um sorriso no rosto enquanto chora por dentro é para palhaço de circo.

Portanto, entregue-se, seja apenas um ser humano cheio de dúvidas e certezas, alegrias e aflições. Aproveite e use algo que, isso sim, com certeza, é igual para todos nós: a capacidade de imaginar, de voar, se entregar. Se nem Freud lhe explica, tente a poesia.

Aos curiosos de plantão, fica a dica do livro Se nem Freud Explica, Tente a Poesia! , antologia selecionada por Ulisses Tavares do melhor da poesia contemporânea. Praticamente impossível encontrar os autores contemplados neste livro em qualquer manual didático de história da literatura. Recomendadíssimo!

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