Identidade Nacional – A crítica social no Romantismo

Meus monstrinhos do pântano lindos!!!!

Ainda não completamente boa da tendinite, dormindo cinco horas por noite, terminando de reformular umas coisinhas lindinhas da nossa fofíssima prova semestral, volto aqui para deixar o último conteúdo visto em slide e que estava faltando aqui: a crítica social da geração abolicionista do Romantismo.

Para começar, lembrem-se que esta geração também se chama condoreira, em decorrência das referências constantes às aves de grande altitude (o condor em especial pela imponência e por ser uma ave sul-americana), que vêem melhor do que os outros animais. Como todo bom romântico, o pessoal da 3ª geração ainda “se acha”. E se acha especial exatamente como estas aves: eles acreditam que enxergam melhor que os outros seres humanos, pois eles percebem os defeitos da sociedade e hasteiam a bandeira de luta para que as desigualdades sejam combatidas. Essa bandeira é justamente hasteada através da arte, um instrumento de modificação social, na perspectiva deles.

Outro nome para este mesmo grupo de escritores é geração hugoana, nome que se refere a Victor Hugo, grande escritor francês que inspira os nossos poetas. A grande obra prima de Victor Hugo é o romance Os miseráveis. Em sua produção se destaca também O corcunda de Notre-Dame. Ambas as obras defendem os excluídos da sociedade.

Essa preocupação social dos românticos da 3ª geração faz com que eles superem, em parte, o egocentrismo que marca o seu movimento literário. Em parte porque, embora os problemas dos outros (no Brasil, a vida sofrida dos escravos) se tornem mais importante do que os problemas pessoais dos autores, e embora eles procurem produzir uma arte engajada em causas sociais, eles ainda se percebem como o poeta-gênio iluminado por Deus e superior aos outros homens, único ser a ver as coisas como ela realmente são e destinado pelo seu dom a modificar o mundo.

Vimos em sala, também, sobre Castro Alves (1847 – 1871) que:

* O poeta dos escravos é baiano de nascimento e estudou Direito em Recife e São Paulo.
* Produziu poesia lírica e social (Espumas Flutuantes e A cachoeira de Paulo Afonso), poesia épica (Os escravos) e teatro (Gonzaga e a Revolução de Minas).
* Faleceu aos 24 anos em decorrência de um tiro no pé.
* Usa uma linguagem grandiosa:
**Gosto acentuado pelas hipérboles (exagero)
**Presença constante de espaços amplos (mar, céu, infinito, deserto)
**Grande carga emocional na denúncia dos problemas sociais (manifesta principalmente através de exclamações e de interjeições).

Para terminar, fiquem com um dos textos deste autor que foram lidos em sala. Mais textos dele estão disponíveis nos dois livros didáticos indicados no início do ano e na internet. As obras completas de Castro Alves, por exemplo, vocês podem encontrar no site Jornal de Poesia (recomendo muito!)

Navio negreiro (excerto)

III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais … inda mais… não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí… Que quadro d’amarguras!
É canto funeral! … Que tétricas figuras! …
Que cena infame e vil… Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV
Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…


Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…


Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!


E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Qual um sonho dantesco as sombras voam!…
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!…

Fazei-os mais dançar!…”

4 thoughts on “Identidade Nacional – A crítica social no Romantismo

  1. eii biianca (:
    fui pra aula hoje só esperando pela tua aula, e aí chega clovis: BIANCA NAO VEM HOJE!

    eu ia querer a explicaçao do O URAGUAI, porque, sinceramente, esse livro nao da pra entender nada!

    faz um resumiinho bonitinho aí (:
    e sem aquelas palavras dificeis de decifrar (:

    beeeeejo :*

  2. bianca, é que eu tava querendo o resumo do livro (porque ele é chato e da preguiça de ler ele, eu durmo com esse livro :D). aí eu queriia um resumo vindo de voce (ja que era isso que voce ia fazer na aula de sabado) e aí como eu ta aperriado com esse resumo, encontrei esse na internet, ve se ta bom, se nao tiver faz as devidas mudanças (:

    “Este poema épico critica drasticamente os jesuítas, antigos mestres do autor Basílio da Gama.
    Ele alega que os jesuítas apenas defendiam os direitos dos índios para ser eles mesmos seus senhores. O enredo em si, é a luta dos portugueses e espanhóis contra os índios e os jesuítas dos Sete Povos das Missões. De acordo com o tratado de Madrid , Portugal e Espanha fariam uma troca de terras no sul do país: Sete Povos das Missões para os espanhóis, e Sacramento para os portugueses.
    O nativos locais recusam-se a sair de suas terras, travando uma guerra. Foi escrito em versos brancos decassílabos, sem divisão de estrofes e divididos em cinco cantos, e por muitos autores, foi o início do Romantismo.
    No Canto I o poeta apresenta já o campo de batalha coberto de destroços e de cadáveres, principalmente de indígenas, e , voltando no tempo, apresenta um desfile do exército luso – espanhol, comandado por Gomes Freire de Andrada.
    No Canto II relata o encontro entre os caciques Cepê e Cacambo e o comandante português. Gomes Freire de Andrada à margem do rio Uruguai. O acordo é impossível porque os jesuitas portugueses se negavam a aceitar a nacionalidade espanhola. Ocorre então o combate entre os índios e as tropas luso-espanholas. Os índios lutam valentemente, mas são vencidos pelas armas de fogo dos europeus. Cepé morre em combate . Cacambo comanda a retirada.
    No Canto III o falecido Cepê aparece em sonho a Cacambo sugerindo o incêndio do acampamento inimigo. Cacambo aproveita a sugestão de Cepé com sucesso. Na volta da missão Cacambo é traiçoeiramente assassinado por ordem do jesuita Balda, o vilão da história, que deseja tornar seu filho Baldeta cacique, em lugar de Cacambo. Observa-se aqui uma forte crítica aos jesuítas.
    No Canto IV o poeta apresenta a marcha das forças luso-espanholas sobre a aldeia dos índios, onde se prepara o casamento de Baldeta e Lindóia. A moça , entretanto , prefere a morte. O poema apresenta então um trecho lírico de rara beleza:
    “Inda conserva o pálido semblante
    Um não sei que de magoado e triste
    Que os corações mais duros enternece,
    Tanto era bela no seu rosto a morte!”
    Com a chegada das tropas de Gomes Freire, os índios se retiram após queimarem a aldeia.
    No Canto V o poeta expressa suas opiniões a respeito dos jesuítas, colocando-os como responsáveis pelo massacre dos índios pelas tropas luso -espanholas. Eram opiniões que agradavam ao Marquês de Pombal, o todo – poderoso ministro de D. José I.
    Nesse mesmo canto ainda aparece a homenagem ao general Gomes Freire de Andrada que respeita e protege os índios sobreviventes.
    Convém ressaltar que O Uraguai, além das características árcades, já apresenta , algumas tendências românticas na descrição da natureza brasileira.”

  3. Arthur,

    Não entendi porque você está tentando ler “O Uraguai”, se a leitura do livro não é assunto da prova. O que vimos sobre esse material foi o resumo, em ficha, e é só sobre o resumo mesmo que as questões podem se debruçar. O livro cuja leitura vai ser avaliada na semestral é O Guarani!

    De qualquer jeito, este resumo sobre O Uraguai está bom.

  4. Biancaaaa
    Tu fica falando de mim no blog, mas sabe que eu tirei 9,5 =P
    Zóia: Que tal mudar o nome do blog pra “ironizando”?
    De cada 4 frases nesse blog, 5 apresentam ironia.
    Se wellington pedir ironia em prova, eu leio teu blog inteirinho 😀

    (espero que esse carinhoso e amigável comentário não venha a afetar minhas notas futuras na disciplina de literatura, viu, tia bibi?! :P)

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