Identidade nacional – A crítica social no Arcadismo

Olá, pequenos gafanhotos!

De volta a essa vida de nerd! Meu fofíssimo voltou da manutenção aparentemente lindo, cheiroso, novinho e sem danos! Espero que sem dano nenhum mesmo, mas não tem nem como confirmar por enquanto. Bora ver.

Aproveitem esse lapso da greve para estudar. Provavelmente as datas dos simulados estarão mantidas então botem pra quebrar nos estudos daqui pra segunda. E moderação no São João da Capitá: pouco sono e muito quentão fazem mal aos neurônios!

Vamos ao que interessa: devido à minha crise desinformatizada eu não consegui postar os slides da aula de Arcadismo. Aqui estão: divirtam-se! Vou esperar um pouco e amanhã eu posto os slides da aula sobre a 3ª geração do Romantismo e os trechos de texto. E no fim de semana fica a vez para o gabarito da ficha de revisão (quem não recebeu ainda vai receber, ok?)

Beijinhos e até o retorno!

A crítica social do século XVIII – Cartas chilenas e a Inconfidência Mineira

O contexto histórico de Portugal pós-União Ibérica não era dos mais promissores. Embora as idéias iluministas tenham finalmente chegado ao governo português, a estagnação econômica do país durante a regência espanhola deixou o Tesouro português em maus lençóis. O rei D. José I e seu primeiro-ministro, Marquês de Pombal, ambos no governo de 1750 a 1777 bem que tentaram a modernização do país, através de um governo déspota, mas o fato é que Portugal perdera, então, completamente, o brilho conquistado duzentos anos antes. Marcam o contexto português:

•D. José assume o reino e nomeia como primeiro-ministro o Marquês de Pombal (de 1750 a 1777).
•Despotismo esclarecido português.
•Destruição de Lisboa em terremoto (1755)
•Reformas de tendência iluminista. Expulsão dos jesuítas.
•Morte d D. José, queda de Pombal. Regência de Maria I, a rainha louca.

No Brasil, a situação também não é das melhores. As ruínas econômicas de Portugal se refletem diretamente na exploração que a corte aristocrática da Metrópole faz das riquezas da colônia. E tendo sido feita, na colônia, a descoberta de ouro, a exploração portuguesa, para manter o luxo e a pompa de sua elite, se fez sentir de forma cada vez mais sufocante. A insatisfação dos colonos foi se tornando cada vez mais inquietante e não tardou então para que os ideais democrátricos iluministas, que fundamentaram a Independência dos EUA (1776) e a Revolução Francesa (1789) se fizessem sentir aqui também. Infelizmente, nossa Conjuração Mineira (1789) foi sufocada antes de se efetivar qualquer manobra revolucionária.
Fizeram parte do contexto histórico brasileiro:

•Exploração do ouro na região de Minas Gerais.
•Urbanização do sudeste.
•Progresso econômico, advindo da necessidade administrativa.
•Esgotamento das Minas.
•“Arrocho” econômico: cobrança de pesados impostos para a ostentação da corte portuguesa. Derrama.
•Insatisfação social. Formação de grupos de discussão intelectual.
•Formação de um sistema literário brasileiro.
•Inconfidência Mineira (1789)

Neste contexto de insatisfação, a literatura se firma, como aconteceu no século anterior, como instrumento de manifestação da criticidade de seu povo. Agora, porém, há uma conquista que precisa ser assinalada: enquanto no Barroco temos a expressão de dois gênios individuais, em manifestações literárias esparsas, no Arcadismo constituem-se, finalmente, as três bases para a consolidação do nosso sistema literário: público consumidor, grupo de autores que compartilham ideais estéticos e circulação efetiva de textos literários escritos nas comunidades. No tocante à produção crítica quanto à nossa identidade, esses textos escritos são justamente os treze poemas que compuseram as Cartas chilenas, escritos por Tomás Antônio Gonzaga.
Sobre Gonzaga, não esqueça:

•Filho de um magistrado brasileiro, nasceu em Porto, Portugal. Retornou ao Brasil aos sete anos.
•Estudou com os jesuítas, na cidade da Bahia até os dezessete anos, quando volta a Portugal para estudar Direito em Coimbra.
•Ocupou importantes cargos jurídicos em Vila Rica.
•É o autor dos poemas líricos de Marília de Dirceu.
•Preso pelo envolvimento na Conjuração Mineira, ficou três anos detido numa prisão no Rio de Janeiro e depois foi condenado a dez anos de degredo em Moçambique.
•Casou-se com a filha de um rico traficante de escravos moçambicano e dada a influência do sogro voltou a ocupar postos importantes na burocracia portuguesa.
•Morreu no continente africano.

Sobre as Cartas chilenas, lembre-se de que:

• São a compilação incompleta de 13 poemas satíricos que circularam entre 1787 e 1788.
•O autor usa o pseudônimo Critilo e se dirige a Doroteu (identidade atribuída a Cláudio Manoel da Costa) criticando Fanfarrão Minésio (o governador Luís da Cunha Meneses).
•A maior importância deste texto é o painel social e político que ele descreve. Assim como a sátira de Gregório de Matos no século XVII, Gonzaga nos mostra a fragilidade da estrutura política colonial e os abusos praticados pelo governador da capitania de Minas.

Para não confundir as Cartas chilenas com a sátira de Gregório de Matos, fique atento aos seguintes aspectos:

•Os poemas que compõem as cartas chilenas são anônimos. Gregório declamava seus textos publicamente.
•Gregório faz uso de textos curtos, como o soneto. A estrutura das Cartas chilenas é de um poema longo, sem estrofação e com muitos versos brancos.
•O Boca do Inferno fazia uso de palavras de baixo calão em muitos de seus textos, além de ridicularizar quem criticava por seus defeitos. O texto de Gonzaga é sóbrio na linguagem e na crítica, embora também faça ataque pessoal.

Para terminar, os dois trechos que vimos em sala:

A lei do teu contrato não faculta
que possas aplicar aos teus negócios
os públicos dinheiros. Tu, com eles,
pagaste aos teus credores grandes somas!
Ordena a sábia Junta que dês logo
da tua comissão estreita conta;
o chefe não assina a portaria,
não quer que se descubra a ladroeira,
porque te favorece, ainda à custa
dos régios interesses, quando finge
que os zela muito mais que as próprias rendas.
Por que, meu Silverino?

***********************************************
Agora, Fanfarrão, agora falo
contigo, e só contigo. Por que causa
ordenas que se faça uma cobrança
tão rápida e tão forte contra aqueles
que ao Erário só devem tênues somas?
Não tens contratadores, que ao rei devem
de mil cruzados centos e mais centos?
Uma só quinta parte que estes dessem,
não matava do Erário o grande empenho?
O pobre, porque é pobre, pague tudo,
e o rico, porque é rico, vai pagando
sem soldados à porta, com sossego!
Não era menos torpe, e mais prudente,
que os devedores todos se igualassem?
Que, sem haver respeito ao pobre ou rico,
metessem no Erário um tanto certo,
à proporção das somas que devessem?
Indigno, indigno chefe! Tu não buscas
o público interesse. Tu só queres
mostrar ao sábio augusto um falso zelo,
poupando, ao mesmo tempo, os devedores,
os grossos devedores, que repartem
contigo os cabedais, que são do reino.

3 thoughts on “Identidade nacional – A crítica social no Arcadismo

  1. Bianca…me tira uma duvidazinha, pois estudando agora a noite pelos livros de Nicola e de Cereja, eu pude perceber que os dois se contradizem em uma coisa: A inconfidência mineira afinal, aconteceu no período do barroco ou no período arcadista?
    se puder me ajudar serei muito grato.
    beijinhos

  2. Só pra corrigir mesmo…o que eu quero saber é em que período aconteceu a Revolução Francesa

  3. André,

    A Revolução Francesa ocorre, exatamente, em 1789, no final do século XVIII, portanto. Acho estranho você perceber incoerência entre os autores envolvendo Barroco e Arcadismo. O comum é que haja conflito de perspectiva envolvendo o Arcadismo e o Romantismo, pois como a revolução ocorreu no fim do século já, trata-se de um momento de transição. Na Europa, por exemplo, já estamos no Romantismo, no Brasil ainda se vive o Arcadismo e por isso, de certa forma, esse marco histórico finaliza um ciclo e inicia outro. Os ideais da Revolução Francesa são o ápice de uma compreensão iluminista e democrática da estrutura social e, ao mesmo tempo, detém uma utopia típica do Romantismo. Além disso é um movimento que ascende a burguesia ao poder e nós vimos que a burguesia vai ser representada na arte pelo Romantismo.
    Nós vamos adotar, neste momento, a seguinte posição (isto é oficial, meninos, podem me cobrar): a Revolução Francesa ocorre durante o Arcadismo brasileiro, e reflete-se diretamente na produção árcade satírica. As Cartas chilenas expressam a insatisfação social de nosso povo com a estrutura do governo português e representam na literatura a crítica social dos membros da Inconfidência Mineira, movimento revolucionário brasileiro que tem os mesmos princípios da Revolução Francesa e que se articulou exatamente no mesmo ano de 1789.

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