Gêneros literários – gabaritos e comentários dos exercícios (ficha 8)

Oi!

Eu até pensei em postar antes, mas, além do tempo me forçar a fazer algo mais acelerado (e eu detesto postar com pressa), vocês estavam concentrados nas outras provas. Então, melhor deixar para o fim de semana mesmo!

Prontos? Ficha 8 na mão?

 

Questão 1 - VVVVF

Como na turma C, em que eu resolvemos essa questão juntos, houve uma dúvida em relação ao item 0 0, vamos antecipar uma dúvida que pode surgir. Ao se mencionar narração nesse item, a referência é a narração do evento pela mídia impressa e audiovisual.

 

Questão 2 -

O texto 1 é o poema Eros e Psiquê, de Fernando Pessoa (confira o texto aqui e acompanhe aqui a leitura por Maria Bethania, que sempre me arrepia profundamente!). É um poema narrativo, pois objetiva contar a descoberta de um personagem, o Infante, que é apenas observado pelo narrador, de que a princesa que ele busca é ele mesmo. Há no texto uma progressão de ações ao longo do tempo: primeiro o Infante sofre as tentações e vence o mal e o bem para poder encontrar o caminho certo, o que o conduz à princesa; depois o Infante prossegue o caminho, mas ele não sabe que caminho é esse (ele não sabe que intuito tem, qual é seu real objetivo); em seguida ele vence os obstáculos, estrada e muro, chegando até a princesa; por fim, ele descobre que ele mesmo é a princesa adormecida.

A leitura de Eros e Psiquê costuma provocar uma inquietação muito grande em quem está começando a conhecer a grande poesia e a poesia de Fernando Pessoa. E sem as pistas do título o estranhamento é maior ainda. A referência é ao mito grego (a Wikipedia tem uma versão bem interessante do mito aqui) dos personagens de mesmo nome, Eros, o deus do amor, e Psiquê, a alma. O mito grego refere-se à descoberta do verdadeiro amor e também ao processo de crescimento e purificação da alma, pois, ao fim do mito, Psiquê, que era uma princesa humana, tornou-se imortal. Fernado Pessoa buscou nessas referências a base para um text sobre o autoconhecimento: o Infante que descobre que ele mesmo é aquilo que ele busca representa os seres humanos que, buscando se realizar através de outras pessoas, aprendem que aquilo que buscavam estava, na verdade, neles mesmos. Se pensarmos numa interpretação bem próxima do mito, vemos uma relação entre o Infante e Psiquê. Observe que Psiquê busca conhecer Eros, como um apaixonado procura conhecer profundamente o objeto de sua paixão, e isso leva ao rompimento – afinal, em algum momento os apaixonados descobrem que o seu amor não é exatamente como ele pensava, igualzinho ao que sonhava. Quando a princesa busca o conhecimento do amor, ele está dormindo, como, no poema de Fernando Pessoa, dorme a princesa. A grande diferença é que o Infante já passou pelas provas, que Psiquê só viverá depois. Por isso, ao encontrar a sua princesa adormecida, o Infante não vive a decepção ou o rompimento: ele percebe que esteve buscando a si mesmo, seus próprios desejos, que foram espelhados no outro.

Tá, eu sei: filosófico demais. Mas Fernando Pessoa é muito filosófico :). Para o cotidiano pense em Psiquê e o Infante como aquelas pessoas que nunca conseguem permancer muito tempo gostando de alguém porque acabam achando um monte de defeitos naquelas pessoas. Elas se decepcionam porque os outros não correspondem às suas expectativas, seus desejos. No fundo no fundo, é gente que quer se encontrar no outro: gente que quer estar com quem pensa exatamente igual a si mesma, que queira a vida toda igual. Se elas não passarem pela estrada divina do autoconhecimento (como o Infante) e se não lutarem pelo próprio desenvolvimento (como Psiquê), não terão como vivenciar outro tipo de relação.

O texto 2 é o décimo terceiro soneto de Via-Láctea (acompanhe o texto aqui), livro de Olavo Bilac que foi publicado em volume único com mais duas outras obras, no ano de 1888. O soneto não tem nome, e, nesse, caso, fazemos a referência a ele pelos versos iniciais: por isso, ficou popularmente conhecido como “Ouvir estrelas”.

Quanto ao gênero, o texto 2 é um poema lírico. Observe que seu objetivo central é apresentar a sensibilidade do eu que fala em voz própria com um interlocutor desconhecido ou mesmo suposto, pois o eu do poema projeta uma situação no futuro (veja que o verbo está na forma direis, indicando um diálogo que ainda não aconteceu). O objetivo é apresentar que a subjetividade do eu que fala em próprio nome no texto é de uma sensibilidade apaixonada, “Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas“. O poema, portanto, cumpre a função de apresentar um como eu sou, como eu penso, como eu sinto, que é característico do gênero lírico.

O texto 3 é o poema Beijo eterno, de Castro Alves, (clique aqui para conferir o texto). É um poema lírico de intensa sensualidade: o objetivo é demonstrar os sentimentos de paixão e volúpia (palavra bonita para se falar em excitação sexual) de um eu lírico masculino, que fala à mulher amada (veja que se fale em “meu peito”  e “teu seio” e que o vocativo que direcionou os imperativos do texto foi “querida” ).

É importante observar, com os exemplos dos textos 2 e 3, que um poema lírico não precisa, necessariamente, ter um forte derramamento emocional em seu conteúdo, mesmo quando esse conteúdo temático é de temática sentimental. O eu lírico do texto 2 é muito comedido ao expressar suas emoções e o eu lírico do texto 3 é justamente o inverso. Veja, também, que não há uma receita sobre que conteúdo emocional é esse: um poema lírico pode falar de diversos tipos de sentimentos diferentes (amor, desejo sexual, medo, esperança, frustração, arrependimento, inveja, desejo de vingança) e não apenas sentimentos “puros” e “elevados”.

O texto 4 também é um poema de Castro Alves. Chama-se Adormecida (confira aqui) e também é um texto de forte sensualidade. No entanto, o gênero, agora, é narrativo. Observe que o foco do texto é a descrição da cena (o ambiente e a moça que é observada pelo narrador) e o relato do acontecimento (a interação entre a moça e a flor). É um poema bastante erótico, já que as imagens poéticas insinuam uma interação entre a flor, na ponta de um galho (uma imagem que pode ser compreendida como um símbolo fálico), e a moça que dão a uma e a outra prazer (vejam que, mesmo adormeida, a moça estremece e busca a flor quando ela se afasta, e que a flor acaba por por derramar sobre a moça suas pétalas).

Castro Alves e Bilac são dois dos maiores poetas brasileiros, e ambos produziram muitos textos (tanto narrativos como líricos) em que tanto um amor elevado como um amor sensual foram tematizados. Fernando Pessoa, o maior poeta de Portugal (ou o maior ao lado de Camões), também produziu poesia tanto narrativa como lírica, mas poucos de seus textos são sobre o amor. Os mais conhecidos deste tema são os poemas do heterônimo Alberto Caeiro no livro O pastor amoroso e o poema de Álvaro de Campos (outro heterônimo pessoano) sobre cartas de amor que ficou conhecido como Todas as cartas de amor são ridículas. São textos MUITO menos complexos do que Eros e Psiquê e eu recomendo todos (baixe aqui, direto do site do Domínio Público do Ministério da Cultura o livro O pastor amoroso e confira aqui o poema de Campos).

 

Questão 3 – C

 

Questão 4 -

São muitas as possibilidades de organização do texto. O mais importante é que não se confunda o que deve estar nas rubricas com o que deve estar nas falas e que estas falas sejam identificadas. Ficam duas sugestões:

Primeiro texto

[No jardim, Mauro Minhoca e Maria Joana cascudo escutam o som de um bebê chorando.]

MAURO – Olha, um bebê chorando!
JOANA [entediada] – Não é um bebê, é um celular!

[Ouve-se o som de uma sirene.]

MAURO [toma um susto] – Ei, e essa sirere?
JOANA [entediada] – Não é sirene, é um celular!

[Ouve-se a canção All the single ladies]

MAURO [cantarolando] – A Beyoncé cantando! Adoro!
JOANA [intrigada com Mauro] – Preciso explicar que é um celular?

[Ouve-se uma campanhia de celular.]

MAURO [curioso] – E isso, o que é?
JOANA [espantada] – Não tenho a mínima ideia!

 

Segundo texto

[Maria Joana e Tuta estão em cena. Joana tem um escovão de banho.]

JOANA – Já pro banho!
TUTA – Só com a presença do meu advogado!
JOANA [irritada] – Vai coloaborar ou quer estrea a espécie dos “tatus-porquinhos”?
TUTA – Que vibe pesada, menina! Vejo uma aura escura aí…
JOANA [tentando se acalmar] – Ok, guri! Não vou te agredir, sou mais espera que isso!
TUTA [saindo] – Ótimo! [imita voz de narrador de comercial] “Não bata, eduque!” [volta ao tom normal] Vou pro banho depois!

Bom, é isso. Bons estudos e boa prova!

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2 comentários sobre “Gêneros literários – gabaritos e comentários dos exercícios (ficha 8)

  1. ei Bianca, na prova vai cair pra dividir em narrativo e épico ? Ou vai ter que dividir em novela , conto e romance tbm ?

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