Exercícios de Caramuru, O uraguai e orientações para o trabalho

Ok, pessoas, minhas criaturinhas do pântano lindas que eu amo tanto!

Como eu prometi, divirtam-se com os exercícios (e suas respostas) e com a orientação do trabalho (um oferecimento especial de Ana Beatriz e Débora para vocês! O que vocês me pedem sorrindo que eu não faço com um sorriso maior ainda além de divulgar as respostas ANTES de uma prova? ;-) Nadica mesmo!).

Beijinhos e aproveitem o feriado. Porque euzinha mesmo vou corrigir prova! Eita vida de professor!!

Exercícios

Questão 1: O tema da morte por amor, evocado no episódio do assassinato de Inês de Castro. A diferença é que Inês foi assassinada, sua morte foi provocada por outras pessoas; Moema e Lindóia, por sua vez, deixam-se morrer porque seu amor se tornou impossível: Lindóia procura a morte na floresta e se deixa picar por uma cobra por não conseguir continuar vivendo sem Cacambo; Moema se deixa afogar pelas ondas do mar porque não consegue viver sem a presença de Diogo, que está partindo. Notem que o único amor não correspondido é o de Moema.

Quanto ao evento mais dramático, há aí uma questão bastante pessoal. Eu, particularmente, considero que dos três, sem dúvida, a morte de Inês é mais chocante, até porque a morte não foi procurada por ela. Já entre a morte de Lindóia e a de Moema, eu fico com a primeira. O ponto de vista do narrador, a partir das impressões de Caitutu sobre o morte da irmã tem uma emocionalidade bastante aflorada. Já a morte de Moema é reduzida ao lamento de uma mulher que se considera traída. Trata-se de um escândalo de uma barraqueira, quase, e ainda por cima sem o menor fundamento, pois Diogo nunca deu bola para índia nenhuma a não ser Paraguaçu. Moema só aparece mesmo para morrer. Santa Rita Durão bem que tentou criar um episódio de morte por amor, mas acabou criando uma louca ciumenta obsessiva, como umas personagens de filme de suspense americano classe B. A única diferença é que ela não tentou, como as personagens desses filmes, matar alguém, só a si mesma.

Questão 2: Não há diferença entre a linguagem do narrador e a linguagem dos personagens indígenas em Caramuru. Santa Rita Durão preferiu investir no artificialismo da linguagem para tentar manter a sobriedade e eloqüência da epopéia. Não culpem o coitado! Até José de Alencar vai fazer isso com Peri! A adaptação da linguagem literária à linguagem do povo , salvo algumas exceções, só vai acontecer mesmo no modernismo. Oswald de Andrade que o diga! (Eita, olha a dica!!)

Questão 3: A relação entre personagem e natureza é mais harmônica na morte de Lindóia do que na morte de Moema. Vejam que o mar engole Moema, ela é morta por ele, mas queria, na verdade, ir embora com Diogo. Lindóia não. Ela quer morrer e busca ajuda da floresta para isso. Lindóia está triste e a natureza ao seu redor também é lúgubre (depressiva, sombria, triste): o bosque “escuro e negro” é um “lugar delicioso e triste” e ela escolhe esse lugar para morrer. Lindóia permite que a cobra a envenene, ela deixa a natureza agir sobre ela, segundo o seu desejo. O mar, para Moema, porém, é um obstáculo que a separa de Diogo, e que procura impedir o amor da índia. Veja que Moema tem “ardor” no peito e é tanto ardor que “nem tanta água que flutua vaga / … / banhando apaga”. O obstáculo deveria apagar o amor de Moema, mas não consegue e nem ela deseja que isso aconteça.
Uma observação: notaram que eu deixei um trecho na citação assim: “/…/”? Para colocar o trecho na ordem direta, eu tive que pular uma estrutura. Estando na ordem indireta (e mais difícil de se entender por causa disso), há aí (e em muitas outras partes dos dois poemas) um hipérbato, ou inversão! Lembrem-se que isso é típico da epopéia de Camões e vai continuar nas epopéias brasileiras do século XIX.

Questão 4: O fato de Diogo ser tão religioso e de a mulher que escolhe para ser esposa ser uma índia acima das outras índias porque tem características de branca ressalta a superioridade dos portugueses sobre os índios. O indígena que se submete ao branco e à catequese é que é valorizado e é quem pode ascender ao poder social e político na região, pois assim ele deixa der “índio” e passa a ser um “homem civilizado” (ou mulher). E é essa associação entre civilidade e a compleição física e a cultura branca que fazem com que Diogo escolha Paraguaçu. Ela é menos selvagem, mais civilizada, mais apresentável como esposa para a coroa portuguesa.

Questão 5: O poema Caramuru conta como um único português, Diogo Álvares, através da sua inteligência e religiosidade, domina todas as nações indígenas do litoral da região de Salvador e de Itaparica. Trata-se de um poema que elogia o sucesso português em domar o território e a gente selvagem do Brasil, salvando-a da perdição que os hábitos pagãos representavam. Elegia-se, na obra, portanto, os feitos portugueses, tal qual Camões elogia a conquista do Atlântico por Portugal. A diferença principal é que Camões também critica, enquanto Santa Rita Durão é puramente ufanista (não lembra o que é ufanista? Pegue o dicionário, ué!)
Já em O Uraguai há um caráter crítico bem mais acentuado. Lembrem-se que Basílio da Gama não era realmente contrário aos jesuítas (do contrário ele não teria sido preso por se corresponder com um!). A obra foi um artifício para ele “limpar a barra” com o Marquês de Pombal. E é por isso que a obra é elogiosa, pero no mucho. O fato é que, em relação aos jesuítas, Gama se obriga a fazer rasgados elogios à ação portuguesa, mas quanto ao efeito disso na população indígena há um tom muito amargo no poema. Os índios, lembrem-se, foram chacinados na região das Missões, e a simpatia com que Gama os apresenta na epopéia não poderia deixar de lamentar a guerra. Enquanto em Caramuru o elogio à ação portuguesa se faz sem ressalvas, em O Uraguai o elogio é mais crítico, pois o herói, Gomes Freire de Andrade, demonstra que há certa injustiça na luta contra os índios, embora tenha que cumprir seu dever, este sim legítimo, de acabar com o domínio dos malvados jesuítas.

Trabalho

Dicazinhas sobre o trabalho:

1 – Enxuguem a pesquisa sobre Oswald. Concentrem-se nele. Sobre o movimento a que ele pertenceu (o Modernismo) e as correntes do modernismo em que ele se insere (Movimento do Pau-Brasil e Antropofagia) não são necessárias páginas e páginas de pesquisa. As informações essenciais que expliquem as ideologias desses três elementos são suficientes.

2 – Sobre o poema de Oswald de Andrade, pensem na simbologia do ato de “vestir” e de “despir”. Lembrem-se que a forma como nos vestimos é um reflexo do grupo social a que pertencemos. As vestimentas de uma população refletem seus hábitos, suas visões do belo e do feio, seus gostos, enfim, sua cultura. Atentem também para as condições de chegada dos portugueses: em uma, “debaixo de bruta chuva”, há um evento; na outra “uma manhã de sol” acontece outra coisa. As condições externas, alheias à nossa vontade, influenciam o que acontece conosco. Vocês podem se preparar para ir a uma festa com a roupa mais linda. Mas se no dia faz muito calor e a programação era uma roupa pesada, escura, é preciso mudar de planos, para que haja uma adaptação a essa condição externa. Se for o contrário: roupa leve, bem fresquinha, e o tempo está frio, é preciso mudar o roteiro para uma nova adaptação a essa condição externa.
Visto isso, agora pensem um pouco: o que é o ato de “vestir” e de “despir” nessa situação de encontro de civilizações? Que condição externa representa a chuva e o sol?

3 – Uma metáfora é uma comparação implícita. Se eu digo que “Sigismunda fala como uma matraca” eu comparo Sigismunda a uma matraca. Mas se eu digo que “Sigismunda é uma matraca“, eu uso uma metáfora. Sigismunda, coitada, não é uma matraca de verdade. Ela se parece com uma porque as duas têm um elemento em comum: fazem muito barulho. Para maiores informações, pesquisem nos livros de vocês e na internet sobre metáforas, ok?

Beijinhos e fiquem com Deus! Sejam felizes!

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5 comentários sobre “Exercícios de Caramuru, O uraguai e orientações para o trabalho

  1. a valeu bianca, acho q entendemos mas.
    o negocio de oswald, para pesquisar sobre ele, nos achamos uma declaraçao dele : “tupi or not tupi” achamos interessante, por que fala sobre a antropofagia, e tentamos juntar com terra papagalli. mas o verso do poema “debaixo de uma grande chuva” continuamos sem entender, ainda naum consegui relacionar o chuva e sol, q vc falou. quer dizer, consegui alguma coisa mas naum sei se esta certo. tipo, chuva seria o poder de portugal, as armas e os navios mas poderesos do q os indios?

  2. Bianca, valeu pelas dicas, mas pra mim não há diferenças ideológicas entre o poema e o livro… pelo contrário, eu acho que o livro é uma “ilustração” do que o poema fala… se é que há alguma diferença, tu pode dar uma ajudinha?

    Valeu!

    Obs: as metáforas, no poema, são as condições que levam a “vestir” ou “despir”??

  3. Ah, e o projeto estético de Oswald tem mais a ver com aqueles negócios de rimas, sílabas (se for, dá uma ajuda pra a gente pesquisar ai…) etc., ou tem mais a ver com o aspecto ideológico?

  4. Anônimo 1,

    Se você acha que não há diferenças entre as ideologias do poema e do livro, ótimo: é a sua tese. Comprove que não há e seu trabalho está feito!
    Tanto o ato de vestir e de despir como as condições são metáforas sim. São símbolos. Para Oswald, o que acontece entre portugueses e índios é semelhante ao ato de vestir. A comparação implícita (sem palavras que façam comparação explícita – “como”, “que nem”) é uma metáfora.

    Anônimo 2
    Um projeto estético tanto se refere à forma de escrever (aí o autor define se vai haver rima ou não, onde, quando, como e por quê) como a ideologia. Neste trabalho você pode se concentrar na ideologia.

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