A linguagem barroca – exercícios

Como prometi, estas são as resoluções dos exercícios da página 118.

1. Os três textos apresentam motivos religiosos. Mostram o sofrimento como uma forma de purificação da alma.

2.
a) Arrependido de seus pecados, o eu lírico identifica-se com a imagem de Cristo e deseja unir-se a ela, integrando-se a Deus e entregando-se a Ele. Observe que, de certa forma, o texto pede o perdão pelos pecados (braços prontos para acolher, olhos prontos para perdoar) e, na última estrofe, clama por uma união do eu lírico com Deus (ficar unido, atado e firme), numa forma de garantir a salvação da alma.

b) A culpa é apresentada em palavras como “castigar”, “perdoar”, “condenar”. O texto mostra que o eu lírico cometeu pecados, mas o Cristo representado na imagem está pronto para a “fazer a salvação”, perdoando o pecador.

3.
a) A mão sobre a cruz conecta o corpo ao objeto de tortura, fazendo uma ligação física entre eles. O movimento dos dedos contraídos é típico dos momentos em que sentimos dor.

b) Tristeza, solidão, abandono são alguns dos sentimentos que podem ser representados por esse olhar. Pode estar também, contido nele, o medo do sofrimento e da morte, pelo qual todos os homens passam.

4.
a) perdoar/condenar; despertos/fechados; eclipsados/abertos.
Notem que estes pares opostos convivem, ideologiamente, na mesma figura. Isto faz com o que aquilo que o livro didático chama de antítese seja, na verdade, um paradoxo.

b) Todos os versos da primeira estrofe. Na ordem direta, ficariam assim:

Vou correndo a vós, braços sagrados,
Desobertos nessa cruz sacrossanta,
Que estais abertos para receber-me
E estais cravados, por não castigar-me -> este por tem o significado de para

c) A metonímia é a substituição de uma palavra por outra que a representa. Se dissemos “O Brasil é muito trabalhador” usamos Brasil no lugar de os brasileiros. O mesmo ocorre, por exemplo, em “Adoro ver Steven Spielberg”. Aqui o nome do diretor é usado para representar os filmes que ele faz.
A metonímia, no texto, é feita através das partes do corpo do Cristo, a quem o autor se dirige, no lugar da imagem do Cristo crucificado. Este tipo de metonímia é chamado de “parte pelo todo”. Através desta metonímia Gregório consegue enfatizar os diversos tipos de sofrimento pelos quais Jesus passou na crucificação e evita a repetição desnecessária de termos.

d) No texto de Vieira a sonoridade é trabalhada através da repetição constante do fonema /s/, presente nos plurais em que foram flexionados a maior parte dos substantivos. O fonema /m/ também se repete bastante no texto, principalmente nos verbos (penduravam, batiam, martelavam, açoitavam).
As imagens fortes ficam por conta da descrição dos diversos tipos de tortura a que eram submetidos os mártires da igreja durante o Império Romano. “Beber chumbo derretido”, “arder como tochas” e “imprensavam os ossos, até ficarem uma pasta confusa sem figura” são algumas passagens.

5.

a) A morbidez é trabalhada na descrição detalhada do sofrimento do Cristo, seja verbalmente, seja visualmente.
b) Na descrição minuciosa dos mecanismos de tortura que os homens podem criar.
c) Se os mártires passaram por sofrimentos tão extremos e insuportáveis, o bom cristão, temeroso a Deus, é perfeitamente capaz de renunciar aos prazeres mundanos para alcançar a salvação.

6. As inversões são recursos que tornam a lógica do raciocínio do texto mais difícil de ser acompanhada, e dificulta sua compreensão, restringindo o entendimento do texto a um grupo privilegiado de pessoas. Além disso, o vocabulário usado em ambos os textos não é trivial, mesmo para a época, o que é também uma forma de elitizar sua compreensão.

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